El estudio analizó a 407 personas que descubrieron su diagnóstico durante su hospitalización; uno de los autores, Pedro Moreno, explica los resultados en una entrevista con PrEP Sudamérica.
Por: Thiago Peniche
Según un estudio realizado entre 2015 y 2024 por investigadores de la Universidad de California (UCLA) y el Hospital Conceição, el 84% de las personas diagnosticadas con VIH en fase avanzada en el Hospital Nossa Senhora da Conceição de Porto Alegre eran heterosexuales.
La investigación analizó a 1615 pacientes hospitalizados con VIH durante un período de diez años. De este total, 407 (25%) recibieron un diagnóstico de VIH durante su hospitalización. Es decir, llegaron al hospital por otras afecciones graves, sin saber que eran seropositivos. La tuberculosis, la neumonía por Pneumocystis, la neurotoxoplasmosis y la neumonía bacteriana se encuentran entre las principales causas de hospitalización identificadas en el estudio.
Entre los pacientes, el 49% eran hombres cisgénero heterosexuales y el 35% mujeres cisgénero heterosexuales. Además, casi la mitad estaban casados o mantenían una relación estable, y aproximadamente dos tercios tenían hijos.
En una entrevista con PrEP South America, el especialista en enfermedades infecciosas Pedro Moreno, uno de los autores del estudio, explica los resultados de la investigación y refuerza la necesidad de ampliar las tecnologías de pruebas y prevención, como la PrEP y la PEP, entre la población heterosexual.
A continuación, lee la entrevista completa o mira el vídeo aquí.
Entrevista — Pedro Moreno (médico especialista en enfermedades infecciosas y uno de los autores del estudio)
PrEP Sudamérica: ¿Qué te motivó a realizar este estudio?
Pedro Moreno: O estudo surgiu da nossa preocupação com a quantidade de pessoas que chegavam ao hospital severamente doentes por causa da aids e só então descobriam que tinham HIV. Durante os anos de residência em infectologia no Hospital Conceição, entre 2021 e 2024, eu e outros colegas ficávamos muito impactados com essa situação.
Sabemos que la progresión de la infección por VIH a un estado avanzado de la enfermedad suele tardar años. Por lo tanto, surgió la pregunta: ¿Por qué no se les hicieron las pruebas a estas personas antes? La idea era investigar quiénes eran estos pacientes y tratar de comprender dónde estaban las deficiencias que permitieron que llegaran al hospital ya tan enfermos.
PrEP en Sudamérica: El estudio muestra que el 25% de las personas recibieron el diagnóstico durante su hospitalización. ¿Qué representan estos datos?
Pedro Moreno: Para mí, esto plantea un grave problema de salud pública. Una cuarta parte de las personas hospitalizadas desconocían que vivían con el VIH hasta ese momento. Tuvieron que llegar al hospital ya enfermas para descubrir su diagnóstico.
Hoje, se uma pessoa tem uma infecção pelo HIV e faz testagem de forma regular, por exemplo, anual ou semestralmente, é possível fazer o diagnóstico muito antes de ela evoluir para uma doença grave. O tratamento pode ser iniciado no momento oportuno, evitando a internação e o adoecimento.
PrEP América do Sul: Um dos resultados que mais chamam atenção é, justamente, que a maior parte desses pacientes eram heterossexuais. O que esse dado revela?
Pedro Moreno: Tuvimos un gran predominio de la población heterosexual: el 49% eran hombres heterosexuales y el 35% mujeres heterosexuales. Creemos que es muy importante presentar estos datos a la comunidad científica porque rompen con una concepción histórica y estigmatizada de "grupo de riesgo", un término que ya no usamos, o que no deberíamos usar.
Existe, claro, comportamentos associados a maior risco de infecção pelo HIV. Mas, na prática, toda a população sexualmente ativa que não utiliza medidas de prevenção, como PrEP e preservativos, está sujeita à infecção.
PrEP América do Sul: O perfil dos pacientes também chama atenção: muitos eram casados ou tinham filhos. Isso pode contribuir para uma falsa sensação de segurança?
Pedro Moreno: É uma das hipóteses que o estudo levanta. Talvez algumas pessoas não tenham tido experiências prévias de testagem porque não se consideravam potencialmente em risco. Podem achar que estão em um relacionamento estável, em um casamento, e não se identificar com aquilo que historicamente foi associado ao HIV.
Mas também precisamos olhar para as falhas dos profissionais de saúde. Médicos, enfermeiros e outros profissionais podem não ter ofertado a possibilidade de testagem anteriormente.
PrEP América do Sul: Então o problema não está apenas na pessoa que não procura o teste, mas também na oferta da testagem pelos serviços de saúde?
Pedro Moreno: Exatamente. A testagem para HIV é gratuita e disponibilizada pelo SUS. Oportunidades existem, mas elas precisam ser oferecidas.
Uma possibilidade seria ampliar a testagem de forma universal. Uma pessoa que procura uma emergência, faz exames de rotina ou consulta um cardiologista, ginecologista ou outro profissional de saúde poderia ter a testagem para HIV ofertada. O mesmo vale para outras infecções, como sífilis e hepatites.
São testes rápidos e amplamente acessíveis. Chegamos a um momento em que não deveria haver mais justificativa para uma pessoa chegar ao hospital tão severamente doente por uma condição que tem diagnóstico fácil e tratamento gratuito e disponível.
PrEP América do Sul: O estudo aponta alguma solução para reduzir esses diagnósticos tardios?
Pedro Moreno: O estudo é principalmente descritivo. Ele levanta esses dados e gera hipóteses sobre por que essas pessoas estão chegando tão tarde ao diagnóstico. Uma possível estratégia é justamente a testagem universal, ou seja, aproveitar diferentes contatos das pessoas com os serviços de saúde para oferecer o teste.
Também é importante lembrar que o estudo tem limitações. Ele foi realizado em apenas um hospital, e todas as pessoas analisadas estavam internadas e, portanto, já apresentavam condições graves. Não podemos generalizar os resultados para toda a população. Mas os dados levantam questões importantes sobre quem estamos deixando de diagnosticar.
PrEP América do Sul: E onde entram as tecnologias de prevenção, como a PrEP, nesse cenário?
Pedro Moreno: A gente precisa pensar por que a PrEP ainda é tão pouco utilizada em uma cidade como Porto Alegre, que sofre tanto com a aids. Temos pouca adesão à PrEP e acho importante questionar por que essa tecnologia ainda é tão restrita a determinados grupos.
Por que mulheres heterossexuais e homens heterossexuais ainda não estão buscando a PrEP? É uma pergunta que precisamos fazer.
PrEP América do Sul: Qual seria a principal mensagem que você gostaria que o estudo deixasse?
Pedro Moreno: A gente precisa olhar para o HIV de uma forma universal e livre de estigmas. Não existe uma “cara” do HIV, uma orientação sexual, uma raça ou uma classe econômica específica que determine quem pode ter o diagnóstico.
Qualquer pessoa sexualmente ativa que não esteja atenta às medidas de prevenção disponíveis pode adquirir o HIV. Por isso, a testagem precisa ser entendida como algo universal. As pessoas precisam ter a oportunidade de fazer o teste e, se houver um diagnóstico, iniciar o tratamento antes do adoecimento.
Hoje, o tratamento é gratuito e muito bem tolerado. As pessoas que vivem com HIV e estão em tratamento podem ter uma expectativa de vida semelhante à de quem não vive com o vírus. O mais importante é ter a oportunidade de fazer o diagnóstico no momento adequado.

