{"id":6374,"date":"2026-05-07T22:23:52","date_gmt":"2026-05-08T01:23:52","guid":{"rendered":"https:\/\/prepamericadosul.uea.edu.br\/?p=6374"},"modified":"2026-05-17T10:45:24","modified_gmt":"2026-05-17T13:45:24","slug":"a-prep-e-para-todo-mundo-experiencias-de-uso-por-mulheres","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/prepamericadosul.uea.edu.br\/?p=6374","title":{"rendered":"A PrEP \u00e9 para todo mundo: experi\u00eancias de uso por mulheres cis e trans"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>\u201cA PrEP \u00e9 para todo mundo\u201d: experi\u00eancias de uso da profilaxia pr\u00e9-exposi\u00e7\u00e3o (PrEP) para HIV por mulheres cisg\u00eanero e transg\u00eanero<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Apesar de a PrEP (profilaxia pr\u00e9-exposi\u00e7\u00e3o ao HIV) ser uma das principais estrat\u00e9gias de preven\u00e7\u00e3o combinada dispon\u00edveis hoje no SUS, ela ainda \u00e9 pouco associada \u00e0s mulheres. Quest\u00f5es como estigma, falta de informa\u00e7\u00e3o, barreiras nos servi\u00e7os de sa\u00fade e desigualdades de g\u00eanero influenciam diretamente o acesso e a perman\u00eancia nessa estrat\u00e9gia de preven\u00e7\u00e3o \u2014 especialmente entre mulheres cis e trans.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesta entrevista para a s\u00e9rie <strong>\u201cEm campo\u201d,<\/strong> conversamos com <strong>Catarina Motta<\/strong>, enfermeira e mestre em Sa\u00fade Coletiva pelo Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Sa\u00fade da Crian\u00e7a e da Mulher (PGSCM) oferecido pelo Instituto Nacional de Sa\u00fade da Mulher, da Crian\u00e7a e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF) da Fiocruz. Em sua disserta\u00e7\u00e3o, intitulada <strong>\u201cA PrEP \u00e9 para todo mundo: experi\u00eancias de uso da profilaxia pr\u00e9-exposi\u00e7\u00e3o (PrEP) para HIV por mulheres cisg\u00eanero e transg\u00eanero\u201d, <\/strong>trabalho orientado por<strong> Ivia Maksud,<\/strong> a pesquisadora investigou as experi\u00eancias de uso da PrEP entre mulheres cis e trans no Rio de Janeiro, analisando como g\u00eanero, sexualidade, classe e estigma atravessam o acesso \u00e0 preven\u00e7\u00e3o do HIV.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"768\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/prepamericadosul.uea.edu.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/WhatsApp-Image-2026-05-06-at-2.09.36-PM-1-768x1024.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-6376\" style=\"aspect-ratio:0.7500100851183993;width:493px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/prepamericadosul.uea.edu.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/WhatsApp-Image-2026-05-06-at-2.09.36-PM-1-768x1024.jpeg 768w, https:\/\/prepamericadosul.uea.edu.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/WhatsApp-Image-2026-05-06-at-2.09.36-PM-1-225x300.jpeg 225w, https:\/\/prepamericadosul.uea.edu.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/WhatsApp-Image-2026-05-06-at-2.09.36-PM-1-1152x1536.jpeg 1152w, https:\/\/prepamericadosul.uea.edu.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/WhatsApp-Image-2026-05-06-at-2.09.36-PM-1-9x12.jpeg 9w, https:\/\/prepamericadosul.uea.edu.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/WhatsApp-Image-2026-05-06-at-2.09.36-PM-1-150x200.jpeg 150w, https:\/\/prepamericadosul.uea.edu.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/WhatsApp-Image-2026-05-06-at-2.09.36-PM-1-450x600.jpeg 450w, https:\/\/prepamericadosul.uea.edu.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/WhatsApp-Image-2026-05-06-at-2.09.36-PM-1.jpeg 1200w\" sizes=\"(max-width: 768px) 100vw, 768px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p><em>Da esquerda para a direita: a orientadora, Ivia Maksud, Catarina Motta e a pesquisadora Claudia Mora ((CLAM\/IMS\/UERJ). Ao fundo: Marcos Nascimento, docente do PGSCM. \/ Foto: Divulga\u00e7\u00e3o<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong>PrEP Am\u00e9rica do Sul: Para come\u00e7ar, voc\u00ea pode explicar qual foi o objetivo da sua disserta\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Catarina: <\/strong>O objetivo foi compreender as experi\u00eancias de uso da PrEP por mulheres cis e trans. Eu analisei essas experi\u00eancias a partir de marcadores interseccionais, como ra\u00e7a, classe, g\u00eanero e sexualidade, entendendo as particularidades das mulheres cis e trans em rela\u00e7\u00e3o ao acesso e ao uso da profilaxia.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>PrEP Am\u00e9rica do Sul: Onde a pesquisa foi feita e qual foi a metodologia?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Catarina:<\/strong> A pesquisa foi realizada no Rio de Janeiro e teve natureza qualitativa. Fizemos entrevistas individuais semiestruturadas, todas presenciais. Utilizamos redes de rela\u00e7\u00e3o e a t\u00e9cnica \u201cbola de neve\u201d para conseguir participantes. Depois, realizamos uma an\u00e1lise tem\u00e1tica dos dados, da qual emergiram 38 unidades de significa\u00e7\u00e3o e cinco categorias finais de an\u00e1lise.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>PrEP Am\u00e9rica do Sul: Quais desafios surgiram nesse caminho?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Catarina:<\/strong> Um dos principais desafios foi encontrar mulheres que utilizassem PrEP e aceitassem compartilhar suas experi\u00eancias, especialmente mulheres trans. Inicialmente, a pesquisa previa dez participantes, mas conseguimos entrevistar seis mulheres: quatro cis e duas trans. Tamb\u00e9m percebi, ao longo das entrevistas, um processo de aprendizado constante sobre como conduzir o campo e aprofundar as perguntas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>PrEP Am\u00e9rica do Sul: Ent\u00e3o, voc\u00ea teve dificuldade para encontrar mulheres trans que aceitassem compartilhar as suas experi\u00eancias? <\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Catarina: <\/strong>Sim. Uma das participantes trans falou algo que me marcou muito: existe um certo cansa\u00e7o em participar de pesquisas sem retorno concreto para essa popula\u00e7\u00e3o. Muitas mulheres trans s\u00e3o constantemente chamadas para entrevistas e pesquisas, mas sentem que isso nem sempre se transforma em melhorias concretas nas pol\u00edticas p\u00fablicas ou nos servi\u00e7os de sa\u00fade. Isso me fez refletir bastante sobre a pr\u00f3pria produ\u00e7\u00e3o de conhecimento.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>PrEP Am\u00e9rica do Sul: Como ra\u00e7a e classe atravessaram a pesquisa?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Catarina:<\/strong> A gente teve bastante dificuldade para encontrar participantes no geral, e isso tamb\u00e9m impactou essa diversidade racial e social. Cinco das seis participantes tinham ensino superior completo e uma estava cursando ensino superior. Ent\u00e3o eram mulheres com um n\u00edvel elevado de escolaridade, o que influencia diretamente o acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o, aos servi\u00e7os de sa\u00fade e \u00e0 pr\u00f3pria PrEP. <\/p>\n\n\n\n<p>A quest\u00e3o racial n\u00e3o emergiu de forma muito forte nas entrevistas. Entre as seis participantes, duas se autodeclararam pardas e n\u00e3o tivemos participantes que se autodeclararam negras. Ent\u00e3o isso acabou sendo uma limita\u00e7\u00e3o importante da pesquisa.<\/p>\n\n\n\n<p>Por isso, considero muito importante que futuras pesquisas consigam ampliar esse n\u00famero de participantes para trazer experi\u00eancias mais diversas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>PrEP Am\u00e9rica do Sul: Quais foram os principais resultados da pesquisa?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Catarina: <\/strong>As motiva\u00e7\u00f5es mais frequentes para come\u00e7ar a usar a PrEP foram n\u00e3o estar em um relacionamento considerado fixo e ter m\u00faltiplos parceiros. Tamb\u00e9m apareceu muito a dificuldade de negociar o uso do preservativo nas rela\u00e7\u00f5es sexuais. Ent\u00e3o, a PrEP surge como uma prote\u00e7\u00e3o extra.<\/p>\n\n\n\n<p>Sobre a inconst\u00e2ncia no uso da camisinha, as entrevistadas relataram que n\u00e3o acontece por falta de informa\u00e7\u00e3o sobre HIV, mas por quest\u00f5es relacionadas \u00e0 negocia\u00e7\u00e3o com parceiros. Ent\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 uma quest\u00e3o de querer ou n\u00e3o querer usar. Mas tamb\u00e9m foi dito que elas nem sempre queriam usar preservativo. E tamb\u00e9m, muitas utilizavam outras estrat\u00e9gias de redu\u00e7\u00e3o de danos, como exames frequentes, di\u00e1logo com parceiros e a pr\u00f3pria PrEP.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>PrEP Am\u00e9rica do Sul: Teve algum relato que te marcou especialmente durante as entrevistas?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Catarina:<\/strong> Um dos relatos que mais me marcou foi o de uma participante que contou que conheceu a PrEP atrav\u00e9s de uma a\u00e7\u00e3o da \u201cvan do SUS\u201d. Ela saiu com amigas numa sexta-feira e encontrou essa a\u00e7\u00e3o na rua, que distribu\u00eda preservativos, falava sobre vacina\u00e7\u00e3o e preven\u00e7\u00e3o. At\u00e9 ent\u00e3o, ela nunca tinha ouvido falar sobre a PrEP para mulheres.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso me marcou muito porque mostra como muitas vezes o acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o ainda depende dessas a\u00e7\u00f5es de educa\u00e7\u00e3o em sa\u00fade no territ\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>PrEP Am\u00e9rica do Sul:<\/strong> <strong>Quais foram as principais motiva\u00e7\u00f5es que levaram essas mulheres a buscar a PrEP?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Catarina: <\/strong>Uma participante contou que come\u00e7ou a usar a PrEP tamb\u00e9m por medo de sofrer viol\u00eancia sexual. Ela usou at\u00e9 a express\u00e3o \u201cmedo irracional\u201d, mas dizia que se sentia mais segura sabendo que teria uma prote\u00e7\u00e3o contra o HIV caso algo acontecesse. Foi um relato que me marcou muito.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>PrEP Am\u00e9rica do Sul: A pesquisa tamb\u00e9m aborda a descontinuidade do uso da PrEP. Quais foram os principais motivos relatados pelas participantes para interromper o uso?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Catarina:<\/strong> Os motivos mais frequentes para interromper o uso foram o in\u00edcio de um relacionamento considerado monog\u00e2mico, a dificuldade de conciliar os hor\u00e1rios de acompanhamento nos servi\u00e7os de sa\u00fade e a percep\u00e7\u00e3o de que elas n\u00e3o estavam mais em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade ao HIV.<\/p>\n\n\n\n<p>Teve uma participante, por exemplo, que come\u00e7ou a usar a PrEP ap\u00f3s uma situa\u00e7\u00e3o espec\u00edfica em que se sentiu vulner\u00e1vel. Depois que aquela situa\u00e7\u00e3o terminou, ela disse que n\u00e3o sentia mais necessidade de continuar utilizando a profilaxia. Isso mostra como muitas mulheres associam o uso da PrEP a determinados momentos da vida e a contextos espec\u00edficos das rela\u00e7\u00f5es afetivas e sexuais.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>PrEP Am\u00e9rica do Sul: Voc\u00ea diria que as participantes associam a monogamia a uma sensa\u00e7\u00e3o de prote\u00e7\u00e3o?<\/strong> <strong>Como a monogamia aparece entre os relatos?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Catarina: <\/strong>Sim, muitos relatos associavam relacionamentos monog\u00e2micos a uma sensa\u00e7\u00e3o de prote\u00e7\u00e3o. Uma participante falou algo muito marcante: ela acreditava estar em um relacionamento monog\u00e2mico, mas depois percebeu que essa monogamia existia \u201cs\u00f3 para ela\u201d. Foi depois dessa experi\u00eancia que decidiu come\u00e7ar a usar PrEP.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso mostra como muitas mulheres n\u00e3o se percebem em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade ao HIV dentro de rela\u00e7\u00f5es consideradas est\u00e1veis, mesmo que existam situa\u00e7\u00f5es de infidelidade ou dificuldade de negocia\u00e7\u00e3o sexual.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>PrEP Am\u00e9rica do Sul: Voc\u00ea acha que existe uma \u201cmasculiniza\u00e7\u00e3o\u201d da pol\u00edtica de PrEP?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Catarina:<\/strong> Eu acredito que sim. A PrEP ainda \u00e9 muito pouco associada \u00e0s mulheres. Isso tem rela\u00e7\u00e3o com a pr\u00f3pria hist\u00f3ria da epidemia de HIV\/aids no Brasil. No in\u00edcio, o HIV foi muito associado aos homens gays e \u00e0s chamadas \u201cpopula\u00e7\u00f5es-chave\u201d, termo que aparecia inclusive em documentos oficiais e protocolos cl\u00ednicos.<\/p>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o, ainda hoje, existe uma percep\u00e7\u00e3o de que a PrEP seria destinada principalmente a homens que fazem sexo com homens, pessoas trans e profissionais do sexo. Al\u00e9m disso, vejo um enfraquecimento muito grande das campanhas de comunica\u00e7\u00e3o voltadas para preven\u00e7\u00e3o do HIV direcionadas \u00e0s mulheres.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>PrEP Am\u00e9rica do Sul: Sobre as mulheres trans, quais barreiras espec\u00edficas aparecem nas experi\u00eancias delas?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Catarina:<\/strong> As mulheres trans relataram preocupa\u00e7\u00f5es muito relacionadas \u00e0 transfobia e ao preconceito nos servi\u00e7os de sa\u00fade. Elas falavam n\u00e3o apenas dos profissionais diretamente envolvidos no atendimento da PrEP, mas tamb\u00e9m de outros trabalhadores das unidades, como seguran\u00e7as, recepcionistas e funcion\u00e1rios administrativos.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma das quest\u00f5es levantadas foi a necessidade de capacita\u00e7\u00e3o de toda a equipe da unidade de sa\u00fade. Enquanto mulheres cis relatavam mais preocupa\u00e7\u00e3o com o estigma associado ao HIV, as mulheres trans falavam tamb\u00e9m do medo da discrimina\u00e7\u00e3o e da viol\u00eancia institucional.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>PrEP Am\u00e9rica do Sul: A quest\u00e3o dos efeitos colaterais apareceu de forma diferente entre mulheres cis e trans?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Catarina: <\/strong>Sim. Entre as mulheres cis, aparecia mais uma preocupa\u00e7\u00e3o geral com poss\u00edveis efeitos colaterais da medica\u00e7\u00e3o. J\u00e1 entre as mulheres trans, a principal preocupa\u00e7\u00e3o era a intera\u00e7\u00e3o entre a PrEP e a terapia hormonal.<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m surgiu uma cr\u00edtica importante sobre a falta de orienta\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os de sa\u00fade em rela\u00e7\u00e3o aos efeitos colaterais. Algumas participantes disseram que os profissionais informavam que eles poderiam acontecer, mas n\u00e3o explicavam o que fazer caso aparecessem sintomas, o que pode acabar levando ao abandono da medica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>PrEP Am\u00e9rica do Sul:<\/strong> <strong>O estigma associado \u00e0 PrEP apareceu nas entrevistas?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Catarina: <\/strong>Bastante. Algumas participantes relataram medo de familiares, parceiros ou pessoas pr\u00f3ximas associarem a PrEP \u00e0 promiscuidade ou ao tratamento do HIV. Uma participante contou que familiares viram a medica\u00e7\u00e3o e perguntaram se ela tinha HIV.<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m surgiram relatos de receio de conversar sobre o uso da PrEP com parceiros, especialmente em relacionamentos considerados monog\u00e2micos, porque isso poderia gerar desconfian\u00e7a ou suspeitas de infidelidade.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>PrEP Am\u00e9rica do Sul: Como foram as experi\u00eancias nos servi\u00e7os de sa\u00fade?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Catarina:<\/strong> No geral, as participantes relataram experi\u00eancias positivas, mas tamb\u00e9m apareceram cr\u00edticas importantes. Algumas mulheres tiveram acesso facilitado \u00e0 informa\u00e7\u00e3o por serem da \u00e1rea da sa\u00fade ou terem contato com profissionais da sa\u00fade.<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, surgiram quest\u00f5es relacionadas ao hor\u00e1rio de funcionamento dos servi\u00e7os, dificuldade de acesso e falta de acolhimento em alguns espa\u00e7os administrativos das unidades. Uma participante comentou, por exemplo, que profissionais do sexo poderiam se beneficiar muito da PrEP, mas muitas vezes n\u00e3o conseguem acessar os servi\u00e7os por incompatibilidade de hor\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>PrEP Am\u00e9rica do Sul: E como sua pesquisa pode contribuir para as pol\u00edticas p\u00fablicas?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Catarina:<\/strong> Acredito que a disserta\u00e7\u00e3o pode ajudar a pensar estrat\u00e9gias mais inclusivas de acesso \u00e0 PrEP. Precisamos ampliar campanhas voltadas \u00e0s mulheres, enfrentar o estigma associado \u00e0 profilaxia e fortalecer o acolhimento nos servi\u00e7os de sa\u00fade.<\/p>\n\n\n\n<p>A pesquisa tamb\u00e9m mostra que as experi\u00eancias das mulheres com a PrEP s\u00e3o atravessadas por quest\u00f5es de g\u00eanero, sexualidade, rela\u00e7\u00f5es afetivas, viol\u00eancia e desigualdade social. Entender essas experi\u00eancias \u00e9 fundamental para construir pol\u00edticas p\u00fablicas mais efetivas e realmente universais.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cA PrEP \u00e9 para todo mundo\u201d: experi\u00eancias de uso da profilaxia pr\u00e9-exposi\u00e7\u00e3o (PrEP) para HIV por mulheres cisg\u00eanero e transg\u00eanero Apesar de a PrEP (profilaxia pr\u00e9-exposi\u00e7\u00e3o ao HIV) ser uma das principais estrat\u00e9gias de preven\u00e7\u00e3o combinada dispon\u00edveis hoje no SUS, ela ainda \u00e9 pouco associada \u00e0s mulheres. 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