{"id":6645,"date":"2026-09-01T19:40:59","date_gmt":"2026-09-01T22:40:59","guid":{"rendered":"https:\/\/prepamericadosul.uea.edu.br\/?p=6645"},"modified":"2026-09-01T21:44:33","modified_gmt":"2026-09-02T00:44:33","slug":"heterossexuais-foram-maioria-entre-diagnosticados-com-hiv-em-hospital-de-porto-alegre","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/prepamericadosul.uea.edu.br\/?p=6645","title":{"rendered":"Heterossexuais foram maioria entre diagnosticados com HIV em hospital de Porto Alegre, revela estudo"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Estudo analisou 407 pessoas que descobriram o diagn\u00f3stico durante interna\u00e7\u00e3o; um dos autores, Pedro Moreno, explica os resultados em entrevista ao PrEP Am\u00e9rica do Sul<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">84% das pessoas diagnosticadas com HIV j\u00e1 em est\u00e1gio avan\u00e7ado no Hospital Nossa Senhora da Concei\u00e7\u00e3o, em Porto Alegre, eram heterossexuais, segundo um<a href=\"https:\/\/onlinelibrary.wiley.com\/doi\/10.1155\/arat\/6671976\"> <strong>estudo conduzido entre 2015 e 2024 por pesquisadores da Universidade da Calif\u00f3rnia (UCLA) e do Hospital Concei\u00e7\u00e3o<\/strong><\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A pesquisa analisou <strong>1.615 pacientes internados com aids<\/strong> ao longo de dez anos. Desse total, <strong>407 (25%) receberam o diagn\u00f3stico de HIV durante a interna\u00e7\u00e3o<\/strong>. Ou seja, eles chegaram ao hospital em raz\u00e3o de outras condi\u00e7\u00f5es graves, sem saber que viviam com HIV. <strong>Tuberculose, pneumonia por <em>Pneumocystis<\/em>, neurotoxoplasmose e pneumonia bacteriana<\/strong> est\u00e3o entre as principais causas de interna\u00e7\u00e3o identificadas pelo estudo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Entre os pacientes, <strong>49% eram homens cis heterossexuais e 35% eram mulheres cis heterossexuais. <\/strong>Al\u00e9m disso, <strong>quase metade era casada<\/strong> ou vivia em uni\u00e3o est\u00e1vel, e cerca de <strong>dois ter\u00e7os tinham filhos.<\/strong> <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em entrevista ao PrEP Am\u00e9rica do Sul, <strong>o m\u00e9dico infectologista Pedro Moreno, um dos autores do estudo, <\/strong>explica os resultados da pesquisa e refor\u00e7a a necessidade de ampliar a testagem e as tecnologias de preven\u00e7\u00e3o, como a PrEP e a PEP, entre a popula\u00e7\u00e3o heterossexual.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A seguir, leia a entrevista completa ou assista ao v\u00eddeo <a href=\"https:\/\/www.tiktok.com\/@prepamericadosul\/video\/7680367874258603282\"><strong>aqui.<\/strong><\/a><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Entrevista \u2014 Pedro Moreno (m\u00e9dico infectologista e um dos autores do estudo)<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>PrEP Am\u00e9rica do Sul:<\/strong> <strong>O que motivou voc\u00eas a realizar esse estudo?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Pedro Moreno:<\/strong> O estudo surgiu da nossa preocupa\u00e7\u00e3o com a quantidade de pessoas que chegavam ao hospital severamente doentes por causa da aids e s\u00f3 ent\u00e3o descobriam que tinham HIV. Durante os anos de resid\u00eancia em infectologia no Hospital Concei\u00e7\u00e3o, entre 2021 e 2024, eu e outros colegas fic\u00e1vamos muito impactados com essa situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sabemos que a evolu\u00e7\u00e3o da infec\u00e7\u00e3o pelo HIV at\u00e9 uma condi\u00e7\u00e3o de doen\u00e7a avan\u00e7ada normalmente leva anos. Ent\u00e3o, surgiu a pergunta: <strong>por que essas pessoas n\u00e3o foram testadas antes?<\/strong> A ideia foi investigar quem eram esses pacientes e tentar entender onde estavam as lacunas que permitiam que chegassem ao hospital j\u00e1 t\u00e3o doentes.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>PrEP Am\u00e9rica do Sul:<\/strong> <strong>O estudo mostra que 25% das pessoas receberam o diagn\u00f3stico durante a pr\u00f3pria interna\u00e7\u00e3o. O que esse dado representa?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Pedro Moreno:<\/strong> Para mim, isso levanta um grande problema de sa\u00fade p\u00fablica. Um quarto das pessoas que foram internadas n\u00e3o sabia que viviam com HIV at\u00e9 aquele momento. Elas precisaram chegar ao hospital doentes para descobrir o diagn\u00f3stico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Hoje, se uma pessoa tem uma infec\u00e7\u00e3o pelo HIV e faz testagem de forma regular, por exemplo, anual ou semestralmente, \u00e9 poss\u00edvel fazer o diagn\u00f3stico muito antes de ela evoluir para uma doen\u00e7a grave. O tratamento pode ser iniciado no momento oportuno, evitando a interna\u00e7\u00e3o e o adoecimento.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>PrEP Am\u00e9rica do Sul:<\/strong> <strong>Um dos resultados que mais chamam aten\u00e7\u00e3o \u00e9, justamente, que a maior parte desses pacientes eram heterossexuais. O que esse dado revela?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Pedro Moreno:<\/strong> A gente teve um grande predom\u00ednio da popula\u00e7\u00e3o heterossexual: 49% eram homens heterossexuais e 35% eram mulheres heterossexuais. Achamos muito importante trazer esse dado para a comunidade cient\u00edfica porque ele foge de uma concep\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica e estigmatizada de \u201cgrupo de risco\u201d, que \u00e9 um termo que n\u00e3o usamos mais \u2014 ou n\u00e3o dever\u00edamos usar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Existe, claro, comportamentos associados a maior risco de infec\u00e7\u00e3o pelo HIV. Mas, na pr\u00e1tica, toda a popula\u00e7\u00e3o sexualmente ativa que n\u00e3o utiliza medidas de preven\u00e7\u00e3o, como PrEP e preservativos, est\u00e1 sujeita \u00e0 infec\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>PrEP Am\u00e9rica do Sul:<\/strong> <strong>O perfil dos pacientes tamb\u00e9m chama aten\u00e7\u00e3o: muitos eram casados ou tinham filhos. Isso pode contribuir para uma falsa sensa\u00e7\u00e3o de seguran\u00e7a?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Pedro Moreno:<\/strong> \u00c9 uma das hip\u00f3teses que o estudo levanta. Talvez algumas pessoas n\u00e3o tenham tido experi\u00eancias pr\u00e9vias de testagem porque n\u00e3o se consideravam potencialmente em risco. Podem achar que est\u00e3o em um relacionamento est\u00e1vel, em um casamento, e n\u00e3o se identificar com aquilo que historicamente foi associado ao HIV.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas tamb\u00e9m precisamos olhar para as falhas dos profissionais de sa\u00fade. M\u00e9dicos, enfermeiros e outros profissionais podem n\u00e3o ter ofertado a possibilidade de testagem anteriormente.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>PrEP Am\u00e9rica do Sul:<\/strong> <strong>Ent\u00e3o o problema n\u00e3o est\u00e1 apenas na pessoa que n\u00e3o procura o teste, mas tamb\u00e9m na oferta da testagem pelos servi\u00e7os de sa\u00fade?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Pedro Moreno:<\/strong> Exatamente. A testagem para HIV \u00e9 gratuita e disponibilizada pelo SUS. Oportunidades existem, mas elas precisam ser oferecidas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma possibilidade seria ampliar a testagem de forma universal. Uma pessoa que procura uma emerg\u00eancia, faz exames de rotina ou consulta um cardiologista, ginecologista ou outro profissional de sa\u00fade poderia ter a testagem para HIV ofertada. O mesmo vale para outras infec\u00e7\u00f5es, como s\u00edfilis e hepatites.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">S\u00e3o testes r\u00e1pidos e amplamente acess\u00edveis. Chegamos a um momento em que n\u00e3o deveria haver mais justificativa para uma pessoa chegar ao hospital t\u00e3o severamente doente por uma condi\u00e7\u00e3o que tem diagn\u00f3stico f\u00e1cil e tratamento gratuito e dispon\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>PrEP Am\u00e9rica do Sul:<\/strong> <strong>O estudo aponta alguma solu\u00e7\u00e3o para reduzir esses diagn\u00f3sticos tardios?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Pedro Moreno:<\/strong> O estudo \u00e9 principalmente descritivo. Ele levanta esses dados e gera hip\u00f3teses sobre por que essas pessoas est\u00e3o chegando t\u00e3o tarde ao diagn\u00f3stico. Uma poss\u00edvel estrat\u00e9gia \u00e9 justamente a testagem universal, ou seja, aproveitar diferentes contatos das pessoas com os servi\u00e7os de sa\u00fade para oferecer o teste.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tamb\u00e9m \u00e9 importante lembrar que o estudo tem limita\u00e7\u00f5es. Ele foi realizado em apenas um hospital, e todas as pessoas analisadas estavam internadas e, portanto, j\u00e1 apresentavam condi\u00e7\u00f5es graves. N\u00e3o podemos generalizar os resultados para toda a popula\u00e7\u00e3o. Mas os dados levantam quest\u00f5es importantes sobre quem estamos deixando de diagnosticar.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><strong>PrEP Am\u00e9rica do Sul:<\/strong><\/strong> <strong>E onde entram as tecnologias de preven\u00e7\u00e3o, como a PrEP, nesse cen\u00e1rio?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Pedro Moreno:<\/strong> A gente precisa pensar por que a PrEP ainda \u00e9 t\u00e3o pouco utilizada em uma cidade como Porto Alegre, que sofre tanto com a aids. Temos pouca ades\u00e3o \u00e0 PrEP e acho importante questionar por que essa tecnologia ainda \u00e9 t\u00e3o restrita a determinados grupos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por que mulheres heterossexuais e homens heterossexuais ainda n\u00e3o est\u00e3o buscando a PrEP? \u00c9 uma pergunta que precisamos fazer.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>PrEP Am\u00e9rica do Sul:<\/strong> <strong>Qual seria a principal mensagem que voc\u00ea gostaria que o estudo deixasse?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Pedro Moreno:<\/strong> A gente precisa olhar para o HIV de uma forma universal e livre de estigmas. N\u00e3o existe uma \u201ccara\u201d do HIV, uma orienta\u00e7\u00e3o sexual, uma ra\u00e7a ou uma classe econ\u00f4mica espec\u00edfica que determine quem pode ter o diagn\u00f3stico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Qualquer pessoa sexualmente ativa que n\u00e3o esteja atenta \u00e0s medidas de preven\u00e7\u00e3o dispon\u00edveis pode adquirir o HIV. Por isso, a testagem precisa ser entendida como algo universal. As pessoas precisam ter a oportunidade de fazer o teste e, se houver um diagn\u00f3stico, iniciar o tratamento antes do adoecimento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Hoje, o tratamento \u00e9 gratuito e muito bem tolerado. As pessoas que vivem com HIV e est\u00e3o em tratamento podem ter uma expectativa de vida semelhante \u00e0 de quem n\u00e3o vive com o v\u00edrus. O mais importante \u00e9 ter a oportunidade de fazer o diagn\u00f3stico no momento adequado.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estudo analisou 407 pessoas que descobriram o diagn\u00f3stico durante interna\u00e7\u00e3o; um dos autores, Pedro Moreno, explica os resultados em entrevista ao PrEP Am\u00e9rica do Sul 84% das pessoas diagnosticadas com HIV j\u00e1 em est\u00e1gio avan\u00e7ado no Hospital Nossa Senhora da Concei\u00e7\u00e3o, em Porto Alegre, eram heterossexuais, segundo um estudo conduzido entre 2015 e 2024 por<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":6647,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"iawp_total_views":0,"footnotes":""},"categories":[29],"tags":[],"class_list":["post-6645","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/prepamericadosul.uea.edu.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/6645","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/prepamericadosul.uea.edu.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/prepamericadosul.uea.edu.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/prepamericadosul.uea.edu.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/prepamericadosul.uea.edu.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=6645"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/prepamericadosul.uea.edu.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/6645\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6651,"href":"https:\/\/prepamericadosul.uea.edu.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/6645\/revisions\/6651"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/prepamericadosul.uea.edu.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/6647"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/prepamericadosul.uea.edu.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=6645"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/prepamericadosul.uea.edu.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=6645"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/prepamericadosul.uea.edu.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=6645"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}